1001 discos e Rolling Stone
Há algum tempo tô pra falar desses dois livros que comprei, excelente dica para quem gosta de música: 1001 discos para ouvir antes de morrer e As melhores entrevistas da Revista Rolling Stone.
O primeiro traz um raio x do rock’n roll e do pop, passando também por outros estilos, como o jazz, o blues e o disco, ao longo de mais de 50 anos de evolução da indústria fonográfica. O grande barato é que, além de falar das obras, das influências das bandas e dos significados detrás de uma determinada canção, o livro contextualiza os álbuns de acordo com o período histórico, traçando um paralelo. É uma grande viagem no tempo.
Como toda obra de arte, e música é arte, os acontecimentos do presente influenciam diretamente os artistas e ter um disco é como ter um pedaço da história no seu quarto. Por mais que a internet esteja difundida, por mais que seja muito mais prático e rápido baixar um mp3, acho que nada supera o prazer de se ter um álbum físico de uma banda ou de um cantor que você goste muito. É como ter um quadro ou uma escultura. A arte daquele período se expressa tanto pelo som como pelos encartes e o prazer de folhear, de tocar naquela obra, de tê-la em suas mãos é, ao menos para mim, insubstituível.
É claro que não dá pra agradar todo mundo e assim como muitos, eu acho que faltaram artistas nessa lista. Cadê os Cranberries, banda de muito sucesso da década de 90? Senti falta, o som deles foi bem marcante nessa época. E os Goo Goo Dolls? Pelo menos com o Dizzy up the Girl eles mereciam entrar, tem Iris e Black Balloon, duas das maiores baladas noventistas. Estranho ter Arctic Monkeys e My Bloody Valentine (oi?) e não ter os Cran.
O segundo livro é uma coletânea das melhores entrevistas da Rolling Stone com figuras não só da música como da política (Bill Clinton), da religião (Dalai-lama) e do cinema (George Lucas). É um barato também ver aquelas pessoas antes tão “intocáveis” falando ali, em um tom descontraído. Gostei muito da entrevista com o John Lennon, na qual ele fala da sua separação dos Beatles, uso de drogas e também sobre a composição das canções. Explica que apenas canções dos primórdios, como I Wanna Hold Your Hand teve a participação de todos na composição, mas que muitas era compostas por apenas uma pessoa. Havia, claro, eventuais ajudas como In My Life (amo!!!), composta por Lennon mas a bridge teve ajuda do Paul. Os Beatles de “bons garotos” não tinham nada. Toda banda de rock sempre faz zilhões de loucuras, e eles não estão isentos. Rockeiros, como os outros da época. John era, definitivamente, o Beatle mais doidão. E, talvez, o mais sincero também.
Outra que me surpreendi muito foi a do Kurt Cobain. Eu gostava de Nirvana (apesar de achar as composições Pearl Jam melhores, falando do mundo grunge), mas nunca fui muito a fundo sobre detalhes dos integrantes e da banda. Eu não sabia, por exemplo, que ele sofria de dores absurdas no estômago e que era super fã de REM. Esse meio artístico pode ser muito cruel e sugar o máximo de você. Se não tiver um bom suporte, as coisas ficam mais difíceis…creio que este foi o problema dele, não saber lidar com as consequências da fama. Quando ele percebeu que teria que abrir mão de outras coisas (facilidades de ir e vir e mais liberdade na hora da composição), já era tarde demais. Kurt gostava tanto do REM que tinha vontade de fazer um som com composições inspiradas na banda. Algo completamente fora do grunge, mas de muita qualidade. E ainda, além de REM, ele também era fã dos Beatles, tendo o Lennon como seu integrante favorito! Provavelmente porque ambos tinham o mesmo problema: lidar com a fama.
Poderia falar mais, são várias entrevistas, vários álbuns, várias viagens no tempo e uma única paixão: A música! Vale a leitura!
Ovelha negra
“Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra
E água fresca
Meu Deus!
Quanto tempo eu passei
Sem saber!
Uh! Uh!…
Foi quando meu pai
Me disse:
“Filha, você é a Ovelha Negra
Da família”
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!…
Baby Baby…
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby Baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
Ponha o resto no lugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Tchu! Tchu! Tchu! Tchu!
Não!
Oh! Oh! Ah!
Tchu! Tchu! Ah! Ah!…”
Tava com essa música da Rita Lee na cabeça e me lembrei que ela tocava na novela Mulheres de Areia, tema da Malu, personagem da Viviane Pasmanter. Isso lá por volta de 1993 ou 1994, ou seja, quando eu era apenas uma garotinha e, principalmente, quando o tempo passava muitíssimo mais devagar. Hoje eu simplesmente não acho 24 horas suficientes pra tudo…acho que precisaria de umas 30 horas! Já rolaram altas teorias da conspiração pra justificar essa guinada do tempo. Gente achando que a terra tá rodando mais rápido (?!), ou qualquer coisa assim. Tá, claro que é só piada, mas é engraçado que quase todo mundo tenha essa mesma sensação, não? Sinal dos tempos??
O findi foi bem divertido, exceto pelas filas gigantes nas boates e nos bares da cidade…caramba! Não sei se é impressão minha, mas toda 6a e sábado tá nisso, tudo superlotado e 1 hora na fila esperando pra entrar! Da outra vez no Bukowski, ao menos, nos deram uma latinha de cerveja pra compensar a espera. O Boteco da Garrafa é outro lugar que vive lotado, não importa aonde, seja em Copa, em Ipanema ou na Lapa, eu nunca vi aquilo lá vazio! By the way, o bar é bom e faz jus.
Domingo fez um dia lindo, pra variar, essa época do outono é ótima, adoro! Mas, também é dia de “compensar” tudo, quase é (ou pelo menos ultimamente tá sendo… =( ), dia de pegar no batente. E aí voltamos pra música da Rita Lee. Eu levava uma vida sossegada e gostava de sombra e água fresca. Meu Deus! Quanto tempo eu passei sem saber…!
Ai ai. 2:55 e eu finalmente vou dormir. Vou sonhar com sombra e água fresca!
Blur retorna com show em 2009
Após longos nove anos o Blur retorna com um show único em Londres no dia 3 de Julho de 2009, como consta na entrevista concedida à revista NME. Segundo vocalista Damon Albarn, a banda não havia parado em definitivo, apenas estavam se dedicando a outros projetos. Albarn (vocal) e Coxon (guitarra) afirmam que as divergências do passado foram superadas e prometem tocar clássicos como This Is A Low e Girls & Boys, além de b-sides, tudo para deixar os fãs felizes.
Embora o grupo ainda não confirme mais shows, Albarn prometeu aos fãs tocarem em mais lugares. O vocalista ainda disse que sentiam que este era um bom momento para retornarem e que a escolha de Londres para seu show de retorno era uma escolha sensata.
A verdade é que estamos num momento de revival dos anos 90. Só este ano já tivemos o retorno de The Verve (outra excelente banda) com o cd Forth, Spice Girls e Take That. Desse jeito, quem não acharia que este realmente é um bom momento?
Um giro pela Rolling Stone
Zanzando por aí, achei um site com várias capas da revista Rolling Stone, desde seus primórdios até o ano de 2000. As primeiras eram bizarras, algumas meio duotone…pareciam até impressas em papel jornal. Depois eles foram evoluindo até chegar nos moldes atuais.
Além de ver o projeto gráfico, fiquei curiosa vendo as capas anos após anos e foi uma viagem musical! De Led Zeppelin a Beck, passando por Bon Jovi, REM, Metallica, Pearl Jam, Nirvana, Cranberries, Counting Crows, Cranberries, Fiona Apple, No Doubt, U2, além de outros famosos como Bill Clinton, Shaquille O’Neil, Jennifer Aniston e Brad Pitt, com um visual a là Clube da Luta. Daí constatei (mais uma vez): a década de 90, tratando-se de rock e pop é, de longe, a melhor. Quem vive de passado é museu, mas tá difícil curtir alguma coisa nessa década de agora, salvo uma banda cá e acolá. So sad!
Se alguém se interessar em ver, é só clicar aqui!