Não é a primeira e muito menos será a última vez que acontece, mas a dor é a mesma. Aquele aperto no peito e a sensação de ver seu coração sendo despedaçado. Eu achava que ela, a dor, ao longo do tempo e das experiências fosse diminuindo, até ser algo que não lhe incomode tanto, como se já fosse vacinada contra isso.  Mas é uma ilusão pensar assim. As pessoas são diferentes e, sendo assim, eu teria que receber uma vacina para cada.

Você sabe que não há necessidade de sofrer desse jeito, só que o racional muitas vezes não caminha junto com o emocional. O meu eu, sensato e racional, sabe que as coisas não funcionariam e, portanto, life goes on, como de fato continuou. Mas o eu emocional talvez no fundo, bem no fundo, ainda acreditasse em alguma coisa e isso explica o tamanho da dor, uma mistura de frustração com dor de cotovelo.

Confesso que sempre procurei me controlar, não expondo tanto assim minhas fragilidades. Em diversas situações difíceis, não só de âmbito emocional, tentei manter o controle, poupando outras pessoas. Só que chega uma hora que você não aguenta. Você não é uma super-heroína capaz de salvar tudo e todos. Não dá pra abraçar o mundo. Um dia, estoura. E foi assim que ontem simplesmente deixei meu lado emocional engolir o racional. Foi algo que eu não previ e que não consegui controlar. Chorei demais sim, doeu demais sim, foi um golpe e eu caí no chão.

“Now this circus has left town
This clown has gotta get his feet back on the ground

I’m learning how to fall (learning how to fall)
Learning how to take a hit (learning how to fall)…”

Pensei nos porquês disso, as comparações estúpidas e desnecessárias tornaram-se inevitáveis e a pergunta “por que não eu?” ficou martelando minha cabeça. O que faltou? O que eu não tenho que a outra provavelmente deve ter? Eu sei que é errado pensar assim, pois as pessoas são diferentes, mas eu juro que não consegui não pensar. É um pouco vergonhoso admitir isso, e mais vergonhoso ainda se sentir trocada quando você, na prática, não foi.

A vida é feita de escolhas e o fato é: eu não fui a escolha. Simples assim. Perdi e preciso admitir isso para mim mesma. Me esforcei, fiz minha parte, foi legal mas acabou. Como disse uma amiga, existem 6 bilhões de pessoas no mundo, por que raios eu vou chorar por uma?

“Mas você é tão nova, ainda vai achar outros”, me disseram. Eu sei disso também, claro, mas…quando?! Sinceramente, eu to cansada de sofrer por gente que don’t give a damn por mim, to cansada de sonhar e cair no chão, to cansada de ser só mais uma. Não é isso que eu quero. Eu quero sentir de novo aquele friozinho na barriga, o coração palpitar, a cumplicidade, é isso que faz uma relação ser algo incrível. Quero alguém que me diga o quanto sou importante pra ele, que seja carinhoso comigo, que lute por mim. Que esteja ali pra me apoiar quando eu precisar, e que eu também possa dar força quando ele precisar. Não quero ter uma, duas ou três noites, eu quero ter todas as noites. Quero alguém que me faça rir, e que eu também o faça rir.

É injusto também pensar que ninguém tá nem aí pro que eu sinto. Cheguei a pensar nisso, mas depois me corrigi pois tem muita gente que se importa sim, que me deu um abraço quando eu precisei, que me fizeram rir e eu sou muito grata a eles! Salvaram meu dia! ;)

Hoje já me sinto melhor e aos poucos as coisas voltam a seus devidos lugares. Só precisava desabafar. Que fique registrado.