Mensageiro

Dia desses eu terminei de ler o livro Eu sou o mensageiro. A história é bem interessante, uma narrativa informal e recheada de gírias e palavrões, diálogos comuns entre a galera com seus 20 e poucos anos. A mensagem do livro é bem bacaninha também, só achei que o final poderia ser melhor trabalhado, mas isso não tira o mérito da proposta do livro.
Nele existem 4 amigos, 3 homens e uma garota. Amigos de infância que se divertem bebendo, comendo, falando besteira. Adoram jogar cartas e compartilham dos bons momentos juntos. E é claro que me vi em algumas situações.
Eu tenho 3 amigos de infância também e volta e meia fazemos coisas juntos. Saímos nós quatro, eu a única garota do grupo, mas não me incomodo. Eu gosto tanto deles que parece que somos irmãos até. E assim como o Ed, o Marv, o Ritchie e a Audrey, também compartilhamos nossos momentos, bebemos, jogamos, e por aí vai. Cada um tem a sua vida, seus problemas, mas sempre encontram um tempinho pra botar o papo em dia.
É uma relação muito legal. Não há segundas intenções, apenas o gostar da companhia uns dos outros. Pra quem acha que amizade homem x mulher sempre tem algo por trás, esta é a prova de que essa teoria nem sempre é verdade. Talvez algumas pessoas achem esquisito, e mais ainda ver uma garota jogando sinuca com um bando de amigos homens (e heteros). Sinceramente, I don’t care. Danem-se preconceitos bobos. Namorado tem ciúmes, namoradas têm ciúmes, mas depois eles vêem que não há necessidade disso. E acabam se juntando a nós (em alguns casos, não tanto…
). É bem divertido.
Só faltava agora receber cartinhas de baralho. Ou seria melhor…bolas de bilhar?!
Não
Feriado aqui no Rio de Janeiro e faz um dia maravilhoso. Depois de uma terça-feira totalmente chuvosa, pensei que São Pedro fosse se aliar à Murphy para juntos me sacanearem. Ainda bem que isso não aconteceu! Os dias de outono aqui são muito bonitos, a temperatura vai ficando cada vez mais agradável. Seria uma pena passar o resto da semana com o tempo muito ruim, principalmente quando você não tem que ir trabalhar.
Aproveitei o solzinho da manhã para dar uma volta com o Joey, já que durante a semana isso é impossível. Ele, pra variar, saiu que nem um doido, cheirando tudo e parando em todos os postes possíveis e imagináveis. Ele adora brincar, fala com todo mundo mas é meio ranzinza com os outros cachorros. Paramos pra tomar uma água de côco, eu, tranquila e ele fazendo a lambança dele. O Joey é um cara legal, é muito carinhoso e tenho certeza que vou sentir muita falta dele no dia que nos separarmos.
Enquanto estava lá, fiquei lembrando do que um amigo me disse. Perguntei o que ele considerava independência e a resposta foi “saber dizer não”. Confesso que eu não esperava ouvir essa. Normalmente falam “se sustentar”, “morar sozinho”, “saber o que quer”. E aí vem o não. De imediato não concordei tanto, mas depois parei pra pensar e faz todo o sentido do mundo. Afinal, ao se dizer não defende-se aquilo que é mais importante para você, não é?
Na verdade as coisas são muito simples e somos nós próprios que complicamos demais. Eu poderia saber o que queria, mas talvez não soubesse de verdade tudo o que eu NÃO queria. Taí a diferença. Agora tudo fica muito claro, e eu não me sinto mais como uma idiota.
Finalmente acordei.
Na lona
Não é a primeira e muito menos será a última vez que acontece, mas a dor é a mesma. Aquele aperto no peito e a sensação de ver seu coração sendo despedaçado. Eu achava que ela, a dor, ao longo do tempo e das experiências fosse diminuindo, até ser algo que não lhe incomode tanto, como se já fosse vacinada contra isso. Mas é uma ilusão pensar assim. As pessoas são diferentes e, sendo assim, eu teria que receber uma vacina para cada.
Você sabe que não há necessidade de sofrer desse jeito, só que o racional muitas vezes não caminha junto com o emocional. O meu eu, sensato e racional, sabe que as coisas não funcionariam e, portanto, life goes on, como de fato continuou. Mas o eu emocional talvez no fundo, bem no fundo, ainda acreditasse em alguma coisa e isso explica o tamanho da dor, uma mistura de frustração com dor de cotovelo.
Confesso que sempre procurei me controlar, não expondo tanto assim minhas fragilidades. Em diversas situações difíceis, não só de âmbito emocional, tentei manter o controle, poupando outras pessoas. Só que chega uma hora que você não aguenta. Você não é uma super-heroína capaz de salvar tudo e todos. Não dá pra abraçar o mundo. Um dia, estoura. E foi assim que ontem simplesmente deixei meu lado emocional engolir o racional. Foi algo que eu não previ e que não consegui controlar. Chorei demais sim, doeu demais sim, foi um golpe e eu caí no chão.
“Now this circus has left town
This clown has gotta get his feet back on the ground
I’m learning how to fall (learning how to fall)
Learning how to take a hit (learning how to fall)…”
Pensei nos porquês disso, as comparações estúpidas e desnecessárias tornaram-se inevitáveis e a pergunta “por que não eu?” ficou martelando minha cabeça. O que faltou? O que eu não tenho que a outra provavelmente deve ter? Eu sei que é errado pensar assim, pois as pessoas são diferentes, mas eu juro que não consegui não pensar. É um pouco vergonhoso admitir isso, e mais vergonhoso ainda se sentir trocada quando você, na prática, não foi.
A vida é feita de escolhas e o fato é: eu não fui a escolha. Simples assim. Perdi e preciso admitir isso para mim mesma. Me esforcei, fiz minha parte, foi legal mas acabou. Como disse uma amiga, existem 6 bilhões de pessoas no mundo, por que raios eu vou chorar por uma?
“Mas você é tão nova, ainda vai achar outros”, me disseram. Eu sei disso também, claro, mas…quando?! Sinceramente, eu to cansada de sofrer por gente que don’t give a damn por mim, to cansada de sonhar e cair no chão, to cansada de ser só mais uma. Não é isso que eu quero. Eu quero sentir de novo aquele friozinho na barriga, o coração palpitar, a cumplicidade, é isso que faz uma relação ser algo incrível. Quero alguém que me diga o quanto sou importante pra ele, que seja carinhoso comigo, que lute por mim. Que esteja ali pra me apoiar quando eu precisar, e que eu também possa dar força quando ele precisar. Não quero ter uma, duas ou três noites, eu quero ter todas as noites. Quero alguém que me faça rir, e que eu também o faça rir.
É injusto também pensar que ninguém tá nem aí pro que eu sinto. Cheguei a pensar nisso, mas depois me corrigi pois tem muita gente que se importa sim, que me deu um abraço quando eu precisei, que me fizeram rir e eu sou muito grata a eles! Salvaram meu dia!
Hoje já me sinto melhor e aos poucos as coisas voltam a seus devidos lugares. Só precisava desabafar. Que fique registrado.
Feliz Páscoa!
Todos os anos há essa enorme mobilização em torno da Páscoa. Para uns, é sinônimo de chocolates e presentes. Para outros, é a ressurreição de Jesus Cristo. Para os judeus, a Pessach, que é a saída do povo judaico do Egito, comandada por Moisés. E tem aqueles, que simplesmente não ligam, sendo apenas mais um dia.
Talvez eu me posicionasse no primeiro e no último grupos citados. Não sou muito lá religiosa, embora venha de família católica e tenha estudado em colégio de freiras. Sempre respeitei muito, claro!
Acho que fiquei boa parte dos anos, talvez por causa das raízes citadas acima, presa à idéia apenas da ressurreição. Idéia muito limitada, diga-se de passagem. Hoje, entendo isso como algo muito maior. Independente da religião, a páscoa é, acima de tudo, a celebração da luta pela vida, da força de vontade e da sobrevivência. Acredito que esta proposta sim, deve ser muito celebrada, mesmo por quem não acredita em nada. Afinal, atualmente parece mais coerente dizer que sobrevivemos à algo do que vivemos algo, não?!